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ACONTECEU
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São
registros
jornalísticos
abordando temas ocorridos
no passado
relacionados ao mês
presente. |
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Novembro
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A Queda do Muro de
Berlim e O Retorno
dos Anistiados |
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A QUEDA DO MURO DE
BERLIM |
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Jorge
Tadeu da Silva
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Dia
9 de novembro de
1989, em plena crise
da antiga Alemanha
oriental, o Muro de
Berlim foi aberto
praticamente devido
a um mal entendido,
pondo fim a um dos
mais conhecidos
símbolos da Guerra
Fria. Onze meses
depois a Alemanha
estava reunificada e
quase todo o muro
havia sido
transformado em
pequenos suvenires.
Qual a razão da
construção dessa
barreira em torno da
parte ocidental de
Berlim na noite de
13 de agosto de 1961
pelas tropas e
milícias operárias
alemãs orientais?
Com o fim da Segunda
Guerra Mundial, as
potências Aliadas
entregaram parte do
território alemão à
Polônia e à URSS. O
restante, que hoje
corresponde à nova
Alemanha, foi
dividido em quatro
zonas de ocupação
temporária
(americana, inglesa,
francesa e
soviética), o mesmo
ocorrendo com
Berlim, que ficava
encravada no centro
da zona soviética.
Em 1949 as três
zonas ocidentais
fundiram-se, dando
origem à República
Federal da Alemanha
(RFA, capitalista,
60 milhões de
habitantes),
enquanto no leste
era criada a
República
Democrática Alemã (RDA
ou DDR, socialista,
17 milhões de
habitantes). As
tropas de ocupação
aliadas
permaneceram, sendo
que Berlim ocidental
ficava encravada na
RDA, com suas
fronteiras abertas,
bastando atravessar
a rua.
O Plano Marshall,
financiado pelos
EUA, fizeram a
recuperação da RFA
(onde estava a
maioria das
indústrias) e de
Berlim ocidental
acontecer
rapidamente nos anos
1950 (o "milagre
alemão"). Já a RDA
era menos
industrializada,
fora mais castigada
pela guerra, pagara
indenizações à URSS
e estava repleta de
refugiados dos
landers perdidos. Os
melhores salários
ocidentais e as
tensões causadas
pela transição ao
socialismo
produziram uma saída
constante de
cidadãos rumo ao
oeste, especialmente
os mais qualificados
profissionalmente.
Muitas pessoas
moravam na zona
oriental de Berlim e
trabalhavam na
ocidental. O governo
socialista sempre
desejou fechar a
fronteira, mas os
soviéticos se
opuseram, pois
desejavam um acordo
de neutralização da
Alemanha (a
ocidental entrara
para a OTAN). Caso
conseguissem o
acordo,
sacrificariam seus
aliados do leste.

Mas em 1961 uma
série de negociações
entre Kennedy e
Krushov fracassaram,
e a RDA foi
autorizada a
construir um muro,
isolando a parte
ocidental da cidade,
que somente teria
acesso por três
corredores
rodo-ferroviários e
aéreos com a RFA. A
passagem seria
controlada entre as
duas Berlim, como no
famoso Checkpoint
Charlie. Os
ocidentais podiam
passar com mais
facilidade, e os
orientais
necessitavam de um
visto para sair,
cuja facilidade
dependia da situação
política. Apesar do
discurso crítico e
das tensões
ensaiadas com fins
de propaganda, o
muro foi aceito
pelas grandes
potências como uma
solução para o
status de Berlim,
sobre o qual não era
possível um consenso
entre elas.
O muro deteve a
sangria demográfica
da RDA, cuja
economia avançou
rapidamente nos anos
1960 e 1970,
atingindo o padrão
sócio-econômico mais
alto de todos os
países socialistas.
Mas o trauma da
separação seguia e,
embora o governo
autorizasse a
emigração legal (20
a 40 mil por ano),
muitos tentavam
fugir, tendo havido
duzentas mortes nos
28 anos de
existência do muro.
Ele foi sendo
substituído por
versões cada vez
mais modernas e
sistemas de
segurança mais
eficientes, tendo se
tornado raras as
tentativas e fugas.
Com a crise do
socialismo nos anos
80, a situação se
alterou, e Gorbachov
abandonou seus
aliados alemães, que
se recusam a aplicar
reformas e mantinham
práticas
repressivas.
Logo após a
comemoração dos 40
anos da DDR, em 7 de
outubro de 1989, os
protestos populares
explodiram e, no
meio da crise, uma
autoridade do
segundo escalão
declarou numa
entrevista noturna à
televisão oriental
que as viagens ao
lado ocidental
estavam autorizadas.
Multidões se
aglomeraram nas
passagens. Os
guardas, sem
instruções nem
contato com um
comando que se
desorganizara,
simplesmente os
deixaram passar, em
meio ao júbilo
popular dos dois
lados. Dias depois o
governo removia
partes do muro para
facilitar a
passagem. A RDA
durou poucos meses
mais. Contudo, as
décadas de separação
entre orientais e
ocidentais geraram
duas sociedades
radicalmente
diferentes em
hábitos e valores.
Um muro invisível
continua a separar
os dois lados de
Berlim e da
Alemanha, como pude
constatar
pessoalmente,
especialmente devido
ao terrível custo
social da unificação
para os cidadãos da
ex-DDR.
Provavelmente, será
necessário mais uma
ou duas gerações
para que os efeitos
do muro desapareçam
completamente.
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O retorno dos
Anistiados ao
Brasil |
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Jorge
Tadeu da Silva |
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O
dia 1º de novembro de 1979
marca a volta dos
primeiros brasileiros
exilados no exterior pela
Ditadura Militar. Eles
foram beneficiados pela
Lei da Anistia, primeiro
ato marcante do governo do
general João Batista
Figueiredo, e que estava
inserido no processo de
abertura política "lenta,
gradual e segura" iniciada
no governo do general
Ernesto Geisel.
A luta pela anistia no
Brasil havia começado
timidamente desde 1968 por
meio dos estudantes,
jornalistas e políticos e,
com o passar dos anos, foi
somando adesões de
populares.
Em todo o País
e no exterior foram
formados comitês que
reuniam filhos, mães,
esposas e amigos de presos
políticos. O objetivo
dessas entidades era a
defesa de uma anistia
ampla, geral e irrestrita
a todos os brasileiros
exilados no período mais
rude da repressão
política. Mas também
funcionavam como órgãos de
prestação de serviços
assistenciais a presos
políticos, parentes de
desaparecidos ou de
pessoas mortas nos porões
da ditadura. Funcionando
acima dos interesses
políticos as entidades
alcançaram alto conceito
popular. Isso podia ser
medido pelos adesivos em
favor da anistia colados
nos carros dos grandes
centros urbanos. Em 1978,
foi fundado no Rio de
Janeiro o Comitê
Brasileiro pela Anistia –
uma ampla frente de várias
entidades da sociedade
civil, com sede na
Associação Brasileira de
Imprensa.
Diante desses movimentos,
o governo encaminhou ao
Congresso o seu projeto,
em junho de 1979. Antes,
ele já havia rejeitado a
proposta do partido de
oposição MDB, que previa a
anistia ampla, geral e
irrestrita. O projeto
governista atendia apenas
parte do apelo nacional,
porque excluía os
condenados por terrorismo
e favorecia os militares,
incluindo os responsáveis
pelas práticas de tortura.
No dia da votação, em
Brasília, cerca de três
mil pessoas participavam
de um ato público pela
anistia irrestrita. Dentro
do Congresso Nacional, as
galerias eram tomadas
pelos populares que
vaiavam cada discurso dos
representantes da Arena –
partido do governo. Por
206 votos contra 201, foi
aprovada a anistia "aos
crimes políticos
praticados por motivação
política."
Em
28 de agosto, Figueiredo
sancionou a Lei nº 6.683,
de iniciativa do governo e
aprovada pelo Congresso,
anistiando todos os
cidadãos punidos por atos
de exceção desde 9 de
abril de 1964, data da
edição do AI-1. O
benefício atingiu
estudantes, professores e
cientistas afastados das
instituições de ensino e
pesquisa nos anos
anteriores. Entretanto, o
reaproveitamento de
servidores civis e
militares ficou
subordinado à decisão de
comissões especiais
criadas no âmbito dos
respectivos ministérios
para estudar cada caso.
Outra restrição dizia
respeito às pessoas
condenadas pelos chamados
"crimes de sangue", atos
terroristas cometidos no
período em que grupos de
esquerda usaram a luta
armada para combater o
regime militar. Segundo o
Superior Tribunal Militar
(STM), havia então 52
presos políticos, dos
quais 17 foram
imediatamente libertados e
35 permaneceram à espera
de uma análise mais
demorada dos seus
processos. Entre presos,
cassados, banidos,
exilados ou simplesmente
destituídos dos seus
empregos, a Lei de Anistia
beneficiou 4.650 pessoas.
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